Imagem de Omar Lopez no Unsplash
Um estudo recente detectou concentrações elevadas de microplásticos e nanoplásticos em placentas de bebês prematuros, sugerindo uma relação entre a presença desses poluentes e complicações na gestação. Pesquisadores apontam que a acumulação de partículas sintéticas em tecidos humanos pode estar associada ao aumento de partos antecipados e riscos à saúde a longo prazo.
Pesquisadores da Universidade do Novo México e do Boston Children’s Hospital analisaram 175 placentas, sendo 75 de partos prematuros (antes de 37 semanas) e 100 de gestações completas. Com espectrometria de massa de alta precisão, identificaram níveis de plásticos até 50 vezes maiores nas placentas prematuras em comparação às de gestações a termo. Os resultados, apresentados na reunião anual da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, indicam que partículas menores que 5 milímetros se acumulam progressivamente durante a gravidez.
A descoberta surpreendeu os cientistas, já que partos prematuros ocorrem em períodos mais curtos de gestação. “Esperaríamos menos exposição a poluentes em gestações mais curtas, mas os dados apontam o contrário”, explica Enrico Barrozo, professor do Baylor College of Medicine. Kjersti Aagaard, coautora do estudo, reforça que a presença elevada desses materiais em placentas prematuras pode não ser apenas uma consequência, mas um fator de risco para complicações gestacionais.
Microplásticos e nanoplásticos, provenientes da degradação de resíduos industriais e produtos de consumo, já foram detectados em órgãos como pulmões e coração. A nova pesquisa amplia evidências de que a contaminação por plásticos ultrapassa barreiras biológicas, incluindo a placenta, que atua como proteção fetal. A presença dessas partículas em tecidos humanos tem sido associada a inflamações crônicas, doenças cardiovasculares e desregulações hormonais.
Enquanto a produção global de plásticos avança, especialistas defendem medidas urgentes para reduzir a exposição humana a esses materiais. A substituição de embalagens descartáveis, o controle de emissões industriais e investimentos em pesquisas sobre efeitos toxicológicos são apontados como prioridades. Para gestantes, recomenda-se evitar alimentos embalados em plástico e filtrar água potável, estratégias que podem minimizar, mas não eliminar, os riscos de uma contaminação já generalizada.
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