Novo estudo revela que efeito regulador das nuvens baixas marinhas é menos eficiente do que se imaginava, aumentando projeções de temperatura
As nuvens baixas marinhas tropicais, antes consideradas um freio natural ao aquecimento global, podem estar acelerando o aumento das temperaturas em escala planetária. Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKUST) descobriram que o feedback dessas nuvens amplifica o efeito estufa em até 71% a mais do que os modelos climáticos anteriores estimavam. A revelação surge de um método inovador que combina análise de dados satelitais com técnicas de otimização matemática, reduzindo incertezas nas projeções climáticas.
A dinâmica das nuvens tropicais sempre foi um desafio para a ciência do clima. Fatores como a temperatura da superfície do mar (TSM) e as condições da troposfera inferior se misturam, dificultando a separação de suas influências individuais. Além disso, as regiões do Pacífico e do Atlântico apresentam comportamentos distintos, complicando ainda mais as previsões. Para resolver esse quebra-cabeça, a equipe liderada pelo professor Su Hui desenvolveu uma abordagem baseada na otimização de Pareto, que avalia 28 modelos climáticos de ponta sem atribuir pesos arbitrários.
Os resultados, publicados na Nature Communications, mostram que dois fatores são determinantes para entender o papel das nuvens: a TSM local e a temperatura na camada atmosférica abaixo de 3 km de altitude. Ao cruzar esses dados com observações de satélite, os cientistas constataram que o efeito de resfriamento proporcionado pelas nuvens baixas não consegue compensar o aquecimento causado pelo aumento dos gases de efeito estufa.
Segundo o professor Wu Mengxi, coautor do estudo, a descoberta indica que o planeta pode ser mais sensível ao dióxido de carbono do que se supunha. Isso significa que os cenários futuros de elevação da temperatura precisam ser revistos, exigindo ajustes nas estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
A pesquisa contou com a colaboração do professor J. David Neelin, da Universidade da Califórnia, e abre caminho para simulações climáticas mais precisas. Enquanto governos e instituições discutem metas de redução de emissões, o estudo alerta para a necessidade de acelerar ações diante de um sistema climático potencialmente mais vulnerável do que o previsto.